sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A MESA REDONDA

Entre os inúmeros objetos, utensílios, ferramentas, máquinas, tecnologias do passado e fotografias expostas no museu de Ibirama, o que mais chamou minha atenção foi essa Mesa Redonda.
Sobre ela está desenhado o mapa da colonização e localização dos primeiros lotes de terra de nossa região. Percebe-se ao meio o rio Itajaí-Açu, pintado de verde, e nas suas margens a delimitação dos lotes.
A mesa é praticamente centenária, e segundo a responsável pelo museu, ficou escondida durante muito tempo, passando de uma casa para outra, principalmente durante a “perseguição” aos imigrantes alemães e italianos, promovida por uma campanha intitulada de “Nacionalização” colocada em prática por Getúlio Vargas, entre 1937 a 1945. Nereu Ramos era o interventor e braço direito de Vargas em Santa Catarina.

Durante esse período, principalmente nas colônias alemãs, foram comuns as invasões de casas por soldados a mando do governo, os quais procuravam alguma ligação desses imigrantes com o nazismo. Temos muitos relatos de aplicação de tortura, proibição da fala em alemão e danos ao ambiente doméstico. Práticas que se intensificaram após 1942, quando o Brasil declarou guerra a Alemanha.

Mas a questão aqui abordada se refere a uma época anterior. Segundo consta na identificação do objeto, a mesa foi idealizada em 1917, com a finalidade de promover uma campanha de ajuda, arrecadando doações entre os imigrantes, para enviar a Alemanha, cuja população passava por grandes dificuldades, arrasada com a Primeira Guerra. O país estava sendo “saqueado”, as cidades praticamente destruídas, a fome generalizada, e ainda por cima, a imposição da Culpa e a pena de reparação dos danos causados aos países envolvidos nesse conflito, o que rendeu ao país uma pesada dívida, além da perda de território.

No entanto, a mídia em geral e principalmente nossa literatura escolar, pouco explora o que ocorrera com a Alemanha ao final da Guerra, como também não se faz sobre o que ocorreu novamente na Alemanha ao final da 2ª Guerra. Como também pouco se faz sobre o que ocorreu no Paraguai, inclusive com a participação do Brasil (cuja maioria dos soldados eram negros), além da Argentina, do Uruguai e da influência Inglesa, entre 1864 a 1870.

Essa mesa redonda tem muita história. Quantas pessoas já se reuniram em sua volta?
De perto, se percebe que praticamente em todos os lotes povoados houve uma doação, mostrando a sensibilidade dos imigrantes com os seus irmãos que lá ficaram. A doação é identificada com um prego, maior ou menor.

A mesa se encontra em perfeito estado de conservação, graças ao cuidado das pessoas que a protegeram durante décadas. Se ela tivesse sido descoberta durante a “campanha de nacionalização”, certamente teria sido destruída.

1 comentários:

Anônimo disse...

Nunca imaginei que um museu teria este tipo de preservação, já vi na Inglaterra (argh!!)algo parecido na sala de guerra no museu de guerra, parabens ao Museu Ibirama.
Quanto as persiguições ao povo Alemão..... que lástima não! e povo que sofre calado! se fossem outras raças que fossem perseguidas a tv. estaria mostrando todos os dias
EDUARDO