quinta-feira, 12 de novembro de 2009

AOS AMIGOS PROFESSORES!


Recebi por email o texto abaixo, sem indicação de autoria.
Dedico aqui aos colegas Professores, com P maiúsculo. Eles são poucos, raros exemplares de profissionais que ainda tem um pouco de coragem.
Que denunciam os descasos com a educação pública nesse país, e que lutam por maior valorização, embora com a difícil colaboração e apoio dos demais colegas de trabalho!

Dedico aqueles Professores que lutam com a melhor das armas, a palavra.
Argumentos dos quais se furtam muitas “autoridades”...

Àqueles que se mobilizam levantando a bandeira da dignidade, colocando em primeiro lugar sua profissão e não determinada sigla partidária!

Dedico também ao grande número de professores covardes conformados, que agem como marionetes, favorecendo ao crescimento da “cultura da pobreza”... e fazendo satisfeitos aqueles que lucram com a ignorância da massa.

AOS MEUS AMIGOS PROFESSORES...

O ano é 2.209 D.C. - ou seja, daqui a duzentos anos - e uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
– Vovô, por que o mundo está acabando?

A calma da pergunta revela a inocência da alma infante. E no mesmo tom vem a resposta:

– Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.

– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?

– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.

– E como foi que eles desapareceram, vovô?

– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos. Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”. Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. O professores eram vítimas da violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Viraram saco de pancadas de todo mundo.

Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse. “Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas. E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.

Em seguida, os professores foram desmoralizados. Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas teve um fator chave nessa história toda. Teve uma época longa chamada ditadura, quando os milicos colocaram os professores na alça de mira e quase acabaram com eles, que foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país. Eles fracassaram, porque a tal da república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que ninguém nunca soube o que é, fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores. Não sei o que foi pior – os milicos ou os tais dos subversivos.

– Não conheço essa palavra. O que é um milico, vovô?

– Era, meu filho, era, não é. Também não existem mais...

Autoria Desconhecida

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A MESA REDONDA

Entre os inúmeros objetos, utensílios, ferramentas, máquinas, tecnologias do passado e fotografias expostas no museu de Ibirama, o que mais chamou minha atenção foi essa Mesa Redonda.
Sobre ela está desenhado o mapa da colonização e localização dos primeiros lotes de terra de nossa região. Percebe-se ao meio o rio Itajaí-Açu, pintado de verde, e nas suas margens a delimitação dos lotes.
A mesa é praticamente centenária, e segundo a responsável pelo museu, ficou escondida durante muito tempo, passando de uma casa para outra, principalmente durante a “perseguição” aos imigrantes alemães e italianos, promovida por uma campanha intitulada de “Nacionalização” colocada em prática por Getúlio Vargas, entre 1937 a 1945. Nereu Ramos era o interventor e braço direito de Vargas em Santa Catarina.

Durante esse período, principalmente nas colônias alemãs, foram comuns as invasões de casas por soldados a mando do governo, os quais procuravam alguma ligação desses imigrantes com o nazismo. Temos muitos relatos de aplicação de tortura, proibição da fala em alemão e danos ao ambiente doméstico. Práticas que se intensificaram após 1942, quando o Brasil declarou guerra a Alemanha.

Mas a questão aqui abordada se refere a uma época anterior. Segundo consta na identificação do objeto, a mesa foi idealizada em 1917, com a finalidade de promover uma campanha de ajuda, arrecadando doações entre os imigrantes, para enviar a Alemanha, cuja população passava por grandes dificuldades, arrasada com a Primeira Guerra. O país estava sendo “saqueado”, as cidades praticamente destruídas, a fome generalizada, e ainda por cima, a imposição da Culpa e a pena de reparação dos danos causados aos países envolvidos nesse conflito, o que rendeu ao país uma pesada dívida, além da perda de território.

No entanto, a mídia em geral e principalmente nossa literatura escolar, pouco explora o que ocorrera com a Alemanha ao final da Guerra, como também não se faz sobre o que ocorreu novamente na Alemanha ao final da 2ª Guerra. Como também pouco se faz sobre o que ocorreu no Paraguai, inclusive com a participação do Brasil (cuja maioria dos soldados eram negros), além da Argentina, do Uruguai e da influência Inglesa, entre 1864 a 1870.

Essa mesa redonda tem muita história. Quantas pessoas já se reuniram em sua volta?
De perto, se percebe que praticamente em todos os lotes povoados houve uma doação, mostrando a sensibilidade dos imigrantes com os seus irmãos que lá ficaram. A doação é identificada com um prego, maior ou menor.

A mesa se encontra em perfeito estado de conservação, graças ao cuidado das pessoas que a protegeram durante décadas. Se ela tivesse sido descoberta durante a “campanha de nacionalização”, certamente teria sido destruída.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PARABÉNS IBIRAMA!

NO SEGUNDO ANDAR DESSE BELO PRÉDIO, ENCONTRA-SE O MUSEU DE IBIRAMA

O município de Ibirama, procurando valorizar a sua história e manter a memória sobre o seu passado, tem feito o que dificilmente encontramos na grande maioria dos municípios que compõem o Alto Vale do Itajaí.
O poder público municipal mantém e investe em um Museu, o qual é muito bem organizado e limpo, e está localizado em uma das mais antigas construções da cidade, onde existia um hospital, construído na década de 30. Lá também se desenvolvem projetos culturais, como dança e música, além de existirem alguns consultórios médicos, pois o espaço é bem grande.

Eu e minha namorada estivemos por lá no sábado, dia 10, passando boa parte da tarde observando os objetos e conversando com a simpática senhora responsável pelo museu.

Esse município ainda dispõe de um Arquivo Histórico, o qual não visitamos, pois funciona em outro local.

Sempre fui um defensor da existência de um museu e arquivo histórico nos municípios. Grandes ou pequenos, todos eles tem história. E não sai caro fazer, existe dinheiro, existem verbas para o investimento na cultura. Basta querer.
Qualquer cidade fica mais valorizada com a preservação de sua história, seja motivando as pessoas a preservarem suas residências antigas, ou o poder público preservando prédios históricos.

Aqui em Pouso Redondo, foi realmente uma pena terem demolido nossa primeira prefeitura! Para quem não sabe, ela ficava em frente a Igreja Católica. A população não devia ter deixado isso acontecer! Por que a demoliram?...

Não da pra se falar em investimento em cultura sem ao mesmo tempo preservar a história. Cultura é memória.

Um museu valoriza a cidade e seu povo, atrai turistas, curiosos, jovens “descobrem” uma vida totalmente diferente no passado, observando objetos carregados de história. Lembram do tempo de seus avós, dos nossos colonizadores. Engana-se quem pensa que arquivo e museu são lugares “mortos”...

Há alguns anos atrás (2004) propus a ideia do arquivo e museu de Pouso Redondo, enviando inclusive um projeto ao poder público municipal. Também o fiz em Agrolândia (2005), mas sem êxito algum, infelizmente sem nenhuma resposta em ambos os casos.

Por ora, fica aqui meu elogio aos administradores do município de Ibirama, pelo apoio e investimento na preservação de sua história; e a sugestão, de que não só Pouso Redondo e Agrolândia, mas que os demais municípios sigam esses exemplos!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Hitler teve mesmo que "engolir" Jesse Owens?

A foto abaixo nos mostra Jesse Owens, o homem mais veloz do mundo, nas olimpíadas de Berlim de 1936, onde foi aplaudido e reverenciado pela multidão que o assistia na Alemanha nazista.
No dia 20 de agosto, ao assistir o jornal da Band, pude ouvir um comentário do apresentador Boechat, que é no mínimo equivocado.

Na ocasião ele estava anunciando a vitória do jamaicano Usain Bolt, quando bateu seu próprio recorde mundial dos 100 metros, no campeonato de Berlim em 2009.
Ao final da reportagem o apresentador lembrou de Jesse Owens, corredor negro estadunidense, que venceu nas olimpíadas de 1936 – e emendou: “Hitler teve que engolir a vitória de Owens”, querendo dizer que ele não a aceitava.

Foi realmente assim que aconteceu?
Hitler teria chegado mesmo a “babar” de raiva?
Teria sido para os alemães daquela época um martírio ver a vitória de um negro?

Se realmente isso aconteceu, será que Owens não teria ficado com “medo” de vencer em meio a tantos truculentos alemães nazistas?...

Nada melhor do que sabermos das palavras do próprio Jesse Owens, se isso foi verdade ou não. Leia abaixo o texto retirado do site inacreditável:

A verdade é que Jesse Owens nunca foi rejeitado ou desprezado por Hitler. Ao contrário, o Führer e Chanceler do Reich tinha grande respeito ante o negro vencedor olímpico. Nos anos que antecederam sua morte, Jesse Owens revelou o que realmente aconteceu:

Indiferente ao seu inédito desempenho na Olimpíada de 1936 e à notícia espalhada por toda a parte – mas uma falsa estória - onde Hitler teria se recusado a cumprimentá-lo depois que ele ganhou sua medalha, Owens retornou à sua pátria (EUA) e foi exposto a uma guerra contra sua raça.

“Quando eu retornei dos jogos olímpicos à minha pátria americana, depois de todas as estórias sobre Hitler, como ele teria me desprezado, me foi negado sentar na parte da frente dos ônibus públicos.” Owens disse ainda: “Eu tinha que sentar na parte de trás. Eu não podia morar onde queria... Eu não fui de fato convidado a apertar a mão de Hitler, mas eu também não fui convidado à Casa Branca para apertar a mão do presidente americano.”

“Joe Louis e eu fomos os primeiros atletas negros que tiveram a permissão para representar a América”, disse Owens, “mas nenhum de nós obteve permissão para fechar contratos publicitários, pois o sul dos EUA não teria comprado tais produtos anunciados. Este era o estigma social ao qual estávamos submetidos”.
The Tampo Tribune (Florida-EUA) – Terça, 01/04/1980

A estória do desprezo de Hitler pode ser explicada da seguinte maneira: após a abertura dos jogos olímpicos de 1936, os vencedores eram levados até o camarote do Ditador, onde ele os cumprimentava. Mas o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Conde Henri de Baillet-Latour, da Bélgica, disse a Hitler que não cabia a ele cumprimentar os atletas. Desta forma, ele deixou o estádio naquele dia sem cumprimentar os demais vencedores.
Depois de seu triunfo olímpico, Owens retornou à América do Norte que não aceitava ainda muito bem os negros.

Embora Adolf Hitler não tivesse a permissão por parte do presidente do Comitê Olímpico para cumprimentar os vencedores, Hitler se levantou diante de Jesse Owens e acenou para ele (o que ele não fez para outros atletas). Owens escreveu sobre isso em suas memórias: “Quando eu passei pela tribuna do chanceler, ele se levantou e acenou para mim, e eu acenei de volta. Os jornalistas se comportam impropriamente quando eles difamam este homem que transformou a Alemanha”. [Jesse Owens, The Jesse Owens Story, 1970]
Mais em: www.inacreditavel.com.br

O apresentador da band esqueceu de dizer que o homem mais veloz do mundo, ganhador de 4 medalhas de ouro, o negro Jesse Owens, foi totalmente ignorado quando retornou aos EUA. Esquecem de dizer que esse corredor nunca mais voltou a competir depois de ter sido completamente desprezado no país que representou.

Devemos lembrar que as olimpíadas de 1936, aconteceram 3 anos depois de Hitler assumir o poder na Alemanha, e 3 anos antes do início da segunda guerra. A Alemanha daquela época apresentava um povo patriota, nacionalista, que progredia rapidamente no campo social, cultural e econômico, fruto da determinação, organização, educação, disciplina...

Com o depoimento de Owens podemos saber ao certo quem realmente o teve que engolir...